Baterias de veículos elétricos (EV) inseguras acabam sendo utilizadas em bicicletas elétricas, enquanto a China combate oficinas ilegais de desmanche

Diante de uma enxurrada de oficinas ilegais de desmontagem de baterias — que desmontam conjuntos de baterias usados de veículos elétricos e, em seguida, reembalagem as células para vendê-las a fabricantes ou usuários de bicicletas elétricas —, as autoridades chinesas estão implementando novas políticas de rastreabilidade para bicicletas elétricas.
A medida tornou-se necessária após uma investigação sobre incidentes de incêndio envolvendo bicicletas elétricas, que constatou que um terço deles é causado por baterias não conformes, e 80% dessas baterias provêm do reempacotamento de células usadas de carros elétricos que podem estar no fim de seu ciclo de vida.
O cerne da questão é que recicladores não regulamentados pagam mais por baterias antigas de veículos elétricos do que operadores certificados, para depois reutilizá-las e revendê-las como baterias aparentemente novas. Quando as células estão muito degradadas até mesmo para isso, elas supostamente são trituradas e vendidas como metais brutos, desconsiderando o risco de incêndio ou as normas de contaminação ambiental que as empresas de reciclagem autorizadas são obrigadas a cumprir.
A primeira leva de carros elétricos na China já está chegando ao fim do ciclo de vida de suas baterias, e haverá sete milhões de toneladas de células de veículos elétricos para reciclar ou descartar nos próximos anos; portanto, esse comércio clandestino só tenderia a se expandir sem medidas adequadas.
Desrespeito às normas para baterias de bicicletas elétricas
A norma nacional para baterias de bicicletas elétricas estabelece um limite máximo de 48 V de tensão, valor adequado para áreas urbanas densamente povoadas, considerando o tratamento descuidado com que os proprietários ou locatários de bicicletas elétricas costumam tratar as baterias. As células de veículos elétricos reaproveitadas, no entanto, frequentemente ultrapassam esse limite para serem oferecidas pelos fabricantes de bicicletas elétricas como modelos de “autonomia ultralonga”, enquanto as empresas de compartilhamento de bicicletas costumam alugar baterias de lítio muito acima dessas especificações e realizam recabeamento não autorizado nas próprias bicicletas.
“O gerente Zhang admitiu francamente que burlar a supervisão é a principal prioridade nesse tipo de negócio”, relata a investigação sobre uma dessas oficinas clandestinas de baterias de veículos elétricos, acrescentando que o armazém e a fábrica de desmontagem são deliberadamente separados,“e até mesmo produtos de células de bateria diferentes são despachados de armazéns distintos” para evitar a detecção.
Regulamentação “uma bicicleta, uma bateria”
Os órgãos reguladores estão agora respondendo com uma nova norma que proíbe totalmente o uso de células reaproveitadas ou de segunda mão, uma disposição que visa especificamente essa categoria de risco de incêndio, acrescentando a exigência de proteção obrigatória contra sobrecarga, testes de abuso térmico e requisitos de resistência a perfurações semelhantes aos aplicados às baterias de veículos elétricos.
A partir de 1º de novembro, uma nova regra de certificação exigirá que toda bicicleta elétrica que sair da fábrica possua uma bateria, um carregador e um código de rastreabilidade correspondentes, no nível da unidade de fábrica. O governo denomina isso de estrutura “uma bicicleta, uma bateria, um carregador, um código”, já que cada produto certificado — seja uma bicicleta elétrica, uma scooter elétrica ou um carrinho de bebê — deve possuir um código QR exclusivo vinculado diretamente ao seu registro de certificação.
O código atual de 10 dígitos permite identificar apenas o modelo da bateria, mas a nova exigência do código QR permitirá que os inspetores rastreiem qualquer bicicleta elétrica até seu fabricante e lote de produção. As bicicletas já registradas de acordo com as regras antigas não serão retiradas de circulação, e os fabricantes deverão garantir peças de reposição e reparos por pelo menos cinco anos.

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